A LOJA “MARECHAL NEIVA”
O início de tudo:
Nasce a potência “Grande Loja”
Em 17 de junho de 1.927, o irmão Mário Behring, presidente do Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceito, convocou uma reunião com os seus Conselheiros e lhes declarou a vontade de separar-se do Grande Oriente do Brasil - GOB, no que foi apoiado por unanimidade.
A partir daí o Irmão Mário Behring estimulou a criação de Grandes Lojas nos outros Estados, sendo instaladas sigilosamente, graças à outorga de Cartas Constitutivas emitidas unilateralmente pelo Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceito.
Nasce a Loja Marechal Neiva.
No mesmo ano em que oficialmente nascia a potência Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo, na capital do Estado, alguns maçons, homens livres e de bons costumes, filiados a uma Loja do GOB, iniciaram conversações para a fundação de uma nova Loja porem filiada à recém instituída Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo – GLESP.
Assim, resolveram, em 10 de outubro de 1.927, fundar a Augusta e Respeitável Loja Simbólica Marechal Neiva.
Cabe ressalvar o nome do Irmão Álvaro Correa Campos, nascido em Santos/SP, aos 27 de abril de 1.892. Advogado e jornalista, iniciado em 12 de julho de 1.925 na Loja Henrique Valadares, Oriente do Rio de Janeiro, veio a se tornar um dos líderes da idéia de fundação da Loja Marechal Neiva.
Outro líder foi o Irmão Domingos Penna e veio a se tornar o primeiro Venerável Mestre da Loja.
Naquela época as Lojas Maçônicas não eram cadastradas por número, ocorrendo somente a partir de 1.930, quando a GLESP deu o número 32 à Marechal Neiva.
A nossa Loja foi batizada de “Marechal Neiva” em homenagem ao Irmão Vicente Saraiva de Carvalho Neiva que também era chamado carinhosamente de “Marechal Neiva” por ter sempre primado na vida profana pela retidão das suas decisões quando no exercício das funções de Magistrado Militar Togado. Também foi o 23º Grão Mestre do Grande Oriente do Brasil sendo empossado no dia 21 de Dezembro de 1.925. Empreendeu a Grande Viagem ao Oriente Eterno no dia 19 de Fevereiro de 1.926.
Um fato significativo para a Maçonaria é o de ter sido o Irmão José Bonifácio de Andrada e Silva o primeiro Grão Mestre do Grande Oriente do Brasil e que sucedido por Dom Pedro de Alcântara, além de outras personalidades, entre elas o Marechal Manoel Deodoro da Fonseca, Nilo Procópio Peçanha e Bernardino de Almeida Senna Campos.
Tempos difíceis.
Mas nem tudo foram flores. O longo caminho percorrido pela Loja Marechal Neiva exigiu dos seus obreiros muita luta, abnegação e desprendimento.
Na manhã do dia 10 de novembro de 1.937, tropas da Cavalaria do Exército cercaram o Senado e a Câmara Federal impedindo os parlamentares de entrarem.
Na noite do mesmo dia Getúlio anunciou aos brasileiros a implantação do Estado Novo.
Estávamos em plena ditadura do regime de Getúlio Vargas e as atividades regulares da nossa Loja foram interrompidas.
O Estado Novo de Getúlio Vargas desencadeou perseguições veladas mas sem trégua a todas as Lojas Maçônicas. Naquela época os nossos Irmãos se viram obrigados a suspender temporariamente a regularidade das atividades das suas Lojas.
Sob a venerança do nosso Irmão Theodoro Will houve reuniões realizadas clandestinamente e as despesas da Loja foram por ele custeadas, durante o período de 1.936 a 1.945, para evitar que se abatessem as nossas Colunas.
O Estado Novo terminou devido ao movimento iniciado pelos Generais Góis Monteiro e Eurico Gaspar Dutra e pelo Brigadeiro Eduardo Gomes que culminou com a participação do General Cordeiro de Farias quando, na noite do dia 29 de outubro de 1.945, postado com tanques e tropas em frente ao Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, na época a Sede do Governo, impôs a deposição de Getúlio Vargas.
Com o fim da Ditadura de Getúlio Vargas, as Lojas Maçônicas voltaram a funcionar normalmente,inclusive a nossa Loja Marechal Neiva.
Muitas lojas, durante este período negro da nossa história, abateram as suas Colunas, porque lhes faltou o denodo, a vontade inquebrantável e o empenho de Irmãos da estirpe do nosso Theodoro Will.
Devido a esses fatos, muito da história da nossa Loja se perdeu, junto com os documentos, livros de Atas, Cadastro de Obreiros e correspondência.
A nossa Loja retomou as suas atividades a partir de 1.940, porem com muita discrição, uma vez que a Ditadura Vargas, apesar de oficialmente nunca ter proibido as Lojas Maçônicas de funcionar, ainda estava muito ativa.
Em 1.951, houve um movimento dissidente na própria GLESP. Algumas Lojas descontentes com o fim da chamada “Dinastia Reis”, decidiram pelo rompimento, fundando em 1.952 a “Mui Respeitosa Grande Loja Unida de São Paulo”.
A nossa Loja foi uma das dissidentes e como fundadora da nova Grande Loja Unida de São Paulo, recebeu o nome de Loja Marechal Neiva, número 5.
Em 1967, no Grão Mestrado de Washington Pelúcio e sob a grande influência do Irmão Past-Grão Mestre Francisco Rorato, a “Mui Respeitosa Grande Loja Unida de São Paulo”, incorporada pela Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo – GLESP.
Retornando à filiação da GLESP a nossa Loja recebeu novamente o número 32 que anteriormente lhe fora atribuído.
A nossa Loja também formou outras Lojas, saindo Irmãos para fundar as Lojas Bandeira Paulista, Cavaleiros do Templo de Salomão e Homero de Campos Junior.